Identidade Feminina - Dia da Mulher 2021
Quando se fala em Dia Internacional da
Mulher, pensa-se em direitos conquistados, em lutas ainda a serem travadas, em
colocar um fim na violência. Ter lugar de fala. Ter vez e ter voz. Ser
independente. Ter domínio sobre o próprio corpo. Combater a opressão e a
desigualdade. E a cada evento, frase de efeito ou mensagem compartilhada na
velocidade das redes sociais, vai-se questionando e moldando o que de fato
significa SER MULHER no coração de cada uma nós.
Será que sabemos de fato o que isso
significa? Será que temos ouvidos para ouvir a única voz que realmente traz a
verdade sobre nós como mulheres? Porque para compreender o que significa ser
mulher é preciso voltar ao princípio, quando a voz que dá vida ao universo falou
e assim criou macho e fêmea, em seguida abençoando ao primeiro homem e a
primeira mulher com a benção da comunhão plena com o criador, um com o outro e
com as coisas criadas. É preciso entender que Ele deu a cada um suas
particularidades, diferentes funções e igualdade de dignidade na sua perfeita
presença. Deus nos fez à sua imagem e semelhança, e, portanto escolheu a cada
uma de nós para sermos as portadoras femininas de sua imagem. Em nossa relação
com o homem não havia disputa nem opressão. Só havia paz e complementaridade
que traziam glória ao nome do Criador.
Mas sabemos que o pecado entrou na história e
arrasou a vida como ela havia sido planejada. A corrupção da morte espiritual
tirou tudo do eixo e cada passo da jornada seria marcado agora por dificuldade,
desconfiança, acusação, tristeza e dor. O Senhor, porém, em sua justiça e
santidade perfeitas que andam lado a lado ao seu amor perfeito, veio para
prometer um escape, uma solução, uma porta aberta de retorno para a comunhão com
Ele e para uma comunhão entre nós que volte a gerar louvor ao nome dele. E como
Ele é indescritivelmente misericordioso, prometeu que viria através de uma
mulher, que ao gerar uma vida simboliza o poder que Ele tem de trazer à
existência as coisas que não existem. Jesus veio e quebrou a parede de separação
que havia entre nós, miseráveis e pecadores, e nos reconciliou com Ele através
da sua morte e ressurreição. Agora, somos novamente livres pelo seu sangue para
viver o propósito de Deus para nós, guiados pelo seu Espírito Santo que em nós
habita.
Você pode estar se perguntando: o que tudo
isso tem a ver com ser mulher? Explico. Ser mulher é reconhecer a graça e o
privilégio de ser portadora feminina da imagem de Deus, para a glória Dele.
Isso significa ver a vida e o mundo de uma forma que Ele confiou a nós
mulheres. Significa saber que a nossa identidade feminina está definida nele,
em ninguém e em nada mais. Se somos jovens ou mais experientes, solteiras ou
casadas, mães ou não, grandes empresárias, artesãs, professoras, comerciantes,
donas de casa, cientistas, profissionais da beleza ou qualquer outra vocação
que possamos exercer, o fazemos para que Ele seja visto e adorado por outros. Se
amamos sacrificialmente, estamos seguindo seu exemplo. Se nos sujeitamos a
outros nas situações que a sua Palavra diz que devemos, o fazemos porque O
tememos e guardamos Seus mandamentos. Se lutamos pelas injustiças cometidas
contra nós, o fazemos buscando perdoar e lutar com as armas do Espírito e com a
verdade de Deus, não procurando por vingança ou posição de superioridade e
intimidação. Se caminhamos unidas e exortamos umas às outras na prática das
boas obras, o fazemos segundo a Escritura, para que o seu caráter seja
aperfeiçoado em nós e para que o mundo saiba que Ele veio, está vivo e voltará.
Nossa identidade feminina precisa estar
firmada em Cristo porque Ele nos ama como mulheres, pois foi assim que Ele nos
fez. Na Bíblia, o amor especial que Ele demonstrou por nós como mulheres enche
o nosso coração de gratidão e nos maravilha. Poderíamos citar muitas histórias,
mas fiquemos com esta. No capítulo 4 do evangelho de João está o relato
completo. O Senhor Jesus se desviou da rota mais óbvia em uma viagem para
passar pela terra dos Samaritanos, povo que os judeus desprezavam. Foi a uma
cidade onde havia uma mulher que era desprezada por todos. Ela era marcada por
uma vida de relacionamentos rompidos, amargura, traição e tristeza. Não tinha
como viver em comunhão com outras mulheres, por isso não podia nem ir buscar
água no poço no mesmo horário que elas. Jesus decidiu alcançar o povo daquela
região começando por aquela cidade, usando aquela mulher como sua primeira
testemunha ali. Ele viu uma mulher quebrada e desfeita, sem esperança e
solitária, à margem da sociedade e discriminada por todos. Ele viu um coração
morto e decidiu apresentar a ela a vida perfeita. Ele se revela à ela como o
Messias esperado, a água da vida que satisfaz a sede da alma para sempre. Mas
perceba este lindo detalhe: antes de mostrar quem era, ele deixou bem claro
para ela que sabia quem ela era, com todas as mazelas de sua história, para
deixar evidente que não importava quem ela tinha sido até ali, a partir de
agora, ela seria reconhecida nele, por quem Ele era e por causa do que Ele
estava para fazer por todos nós. Aquela mulher não quis mais saber do seu
passado e nem se preocupou com o que os outros pensavam e sabiam sobre ela. Ele
correu para o povo que a considerava menos que nada e anunciou a Cristo, aquele
em quem ela descobriu de fato quem havia se tornado, mulher de Deus!
Que sejamos portadoras femininas da imagem e
semelhança deste Deus maravilhoso em busca de santidade e coragem. Que sejamos
proclamadoras do seu evangelho que nos coloca em paz com a nossa feminilidade,
que nos enche de gratidão por termos sido escolhidas nele, antes da fundação do
mundo, para sermos mulheres na sua presença. Que sejamos mulheres de Deus em
nossa geração, e que ao olharem para nós todos possam ver o caráter de Cristo,
para a glória de Deus!
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