Que canção você cantaria se estivesse a caminho da morte? (1)

Esta semana iremos nos lembrar da morte e ressurreição de Cristo de forma especial. Por isso gostaria de ler e pensar sobre algumas canções que eram entoadas pelo povo de Israel durante a celebração da Páscoa, os Salmos 113 à 118. A bíblia nos diz que após Jesus comer com seus discípulos a última ceia, eles cantaram um hino e saíram (Mateus 26.30; Marcos 14.26). Dali foram ao Getsêmani onde Jesus orou e chorou na presença do Pai e onde Ele foi preso para cumprir o seu propósito de entregar sua vida por amor de nós.

 

Mas eles cantaram juntos antes de deixarem o local deste último jantar. O Senhor Jesus tinha plena consciência do que estava para viver. Ele sabia muito bem o que o esperava. Ninguém forçava a sua mão na direção da cruz, Ele voluntariamente derramava sua vida (João 10.17-18) e demonstrava toda a sua perfeição: a justiça perfeita que requer pagamento pela falta (Hebreus 9.13,14), e o amor perfeito que paga o preço pelo inimigo, e o livra da pena (Romanos 5.7-8; João 15.13). Que canção canta o condenado a caminho a morte? E aquele que foi condenado injustamente? Há música para o seu coração? Certamente havia para o coração de Jesus. Não temos como saber que Salmo eles cantaram, ou até mesmo se de fato cantaram um destes, mas podemos pensar sobre o que se passa no coração daquele que canta cada uma destas canções enquanto a sombra da morte paira sobre suas cabeças.

 

Será que eles entoaram o Salmo 113? Este Salmo mostra o poder de Deus que transcende todas as coisas (versos 4-6), ou seja, é maior do que tudo, e que ao mesmo tempo está presente e agindo em todas as circunstâncias (versos 7-9). Ele começa com um chamado ao louvor e reconhecimento da grandeza de Deus (versos 1 e 2). O sacerdote liderava o povo na adoração ao Senhor, chamando o povo a lembrar quem Deus era e declarar isso. Quem sabe Jesus ali, como sumo sacerdote que iria oferecer o sacrifício derradeiro não cantou chamando seus discípulos a se render ao plano de Pai?

 

O Salmo declara que em todos os lugares (verso 3), acima de todos os falsos deuses das nações (verso 4) está o Senhor e o seu poder. Ele é incomparável (verso 5), porém condescende com o homem (verso 6), o sustém e visita com sua graça (verso 7-8). Ora, não estava ali diante deles aquele que é a própria misericórdia de Deus encarnada, a dádiva perfeita de amor e perdão do Pai, a prova viva de Ele estende a mão para resgatar o homem que virou para Ele as costas? E o salmo termina mostrando que Deus transforma solidão em comunhão, ausência de vida em fertilidade (verso 9). Ele o faz de forma literal presenteando famílias com filhos do ventre como fez com Ana (1 Samuel 2), e também através de sua igreja, instrumento dele para levar a luz do Evangelho aos que estão vazios e  mortos em seus pecados.

 

Que lindas figuras da graça de Deus demonstrada em Jesus temos aqui! Será que em face das noites tenebrosas da vida temos cantado sobre o caráter de Deus com esta confiança? Que o Senhor nos ajude! 

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