Que canção você cantaria se estivesse a caminho da morte? (2)
Estou visitando esta semana os Salmos 113-118, que eram entoados na celebração da Páscoa em Israel. Um deles pode ter sido cantado por Jesus e seus discípulos na última ceia.
Hoje quero pensar sobre o Salmo 114. Este Salmo
fazia o povo se lembrar da grandeza de Deus, de quão temível era a sua presença
e de quão poderoso Ele é. Os atos históricos tinham um peso enorme na vida do
povo de Israel, pois eram recontados e traziam a memória o poder e a fidelidade
de Deus à aliança que Ele tem com seu povo.
A saída do Egito era sem dúvida considerada a
maior e mais tremenda demonstração do poder de Deus, e era uma fonte constante
de encorajamento, que apontava para as gerações futuras o caminho do Senhor. E
é lembrando isso que este cântico começa (verso 1). Deus ao tirar seu povo da
escravidão e opressão, passou a habitar entre eles. Ele os guiou pelo caminho
do deserto, se manifestou a eles e lhes deu a sua lei, os guiou na construção
de um tabernáculo e muitos anos depois de um templo. Mas tudo isso apontava
para o que Cristo faria por eles. Ele seria o derradeiro sacrifício que
dispensaria os sacrifícios oferecidos cerimonialmente, livrando-nos da culpa
diante de Deus, e após a sua ressurreição, muito mais do que se manifestar no
tabernáculo ou no templo, Ele viria habitar em nós, na pessoa do Espírito
Santo. É disso que fala o verso 2.
Os versos 3 à 7 mostram poeticamente como o
poder do Senhor está acima de tudo. Tanto o Mar Vermelho quanto o Rio Jordão
abriram caminho para o povo de Deus passar (versos 3 e 5). Os montes, sempre
usados na poesia bíblica como símbolo de constância e poder, diante da presença
do Senhor tremem e se desfazem (versos 4 e 6). O Senhor é Deus soberano sobre
todas as coisas criadas, mas este poder aponta para algo ainda mais temível que
o verso 7 quer demonstrar: Ele deve ser temido porque é o reto juiz de toda
terra. Todos nós somos alvos do seu juízo, e se nem as rochas milenares e nem
os mares revoltos podem resistir ao seu poder o que será de nós diante da sua
majestade?
Mas se os discípulos cantaram este cântico
com o Mestre amado antes da sua prisão, certamente ele tinha um significado
especial neste sentido: Ali estava aquele que ia nos declarar justos diante de
Deus, por causa da justiça que ia conquistar por nós na cruz, e ia nos livrar
do temor da ira do Senhor, jamais confiados em nossos méritos, mas em seu
sacrifício e em sua graça.
O cântico termina no verso 8 com a lembrança
de que o Senhor deu água da rocha ao povo murmurador em Cades (Números
20.1-13). Aqui temos mais uma linda figura que aponta para o Cristo – Ele, a
água da vida (João 4.13-14), que pode fazer brotar rios de água viva de um
coração que antes era de pedra, como o nosso, porque nos dá um novo coração,
onde Ele habita e de onde pode transbordar para matar a sede de um mundo
perdido na lama seca do pecado. Ele mesmo é a rocha onde está firmada a nossa
fé, que foi ferida pelo nosso pecado, para nos dar vida em abundância.
Será que foi este o hino cantado naquela noite
no cenáculo? Certamente seria cheio de imagens das quais os seguidores do
mestre iriam se lembrar mais tarde, pensando em quão fiel Ele é à sua Palavra.
E nós? Como temos vivido em face às ameaças constantes contra a firmeza da nossa fé? Temos vivido no temor do Senhor, reconhecendo qual era a nossa condição antes de sermos alcançados por sua tão grande salvação? Entendemos que a solução para o problema da sede do coração está na água viva que é Jesus? Será que Ele tem fluido de nós e alcançado a sequidão na vida de outros ao nosso redor? Que o Senhor nos ajude a trazer sempre à memória seus poderosos feitos e sua forte mão, com gratidão e reverência em nosso coração, comprometidos com Ele e com seu plano de se revelar àqueles a quem Ele deseja chamar, sendo instrumentos seus para a sua glória!
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