Que canção você cantaria se estivesse a caminho da morte? (3)
Hoje vamos meditar sobre o Salmo 115. Ele também pode ter sido cantado por Jesus e seus discípulos durante aquela refeição cheia de significado, da qual Jesus saiu para ir à cruz.
Este Salmo era um salmo usado para adoração
pública. Ele reforça na mente do adorador a inutilidade dos ídolos de outras
nações, que em muitos momentos da história do povo de Israel, foram adorados em
lugar do verdadeiro Deus, provocando o zelo, o ciúme do Senhor por causa do
relacionamento de aliança e fidelidade que o Senhor tinha com eles. O Senhor considerava
o povo como sendo seu, pertencendo a Ele para amar e cuidar, para manter e
zelar por ele. Deus era fiel à sua aliança, mas o povo depositava em outros
falsos deuses a confiança e a devoção que pertenciam somente a Ele.
O verso 1 fala sobre isso quando diz que só o
Senhor merece ser glorificado, por causa da sua misericórdia, ou seja, seu
afeto especial pelo povo do seu amor. Os versos 2 e 3 falam de como os povos
que não conheciam o Senhor ao vê-los em aperto duvidavam do poder dEle, mas o
seu povo reconhece que Ele continua soberano, fazendo tudo como lhe agrada, ou
seja, segundo o seu bom propósito. Isso não seria mais atual se tivesse sido
escrito ontem! Enquanto o mundo navega todas as circunstâncias adversas que
cercam a todos e nos afetam de diferentes formas e em diversas intensidades,
muitos tem se levantado para perguntar onde está Deus. Mas o nosso coração e
nossa vida, e a maneira como atravessamos as horas escuras destes dias deve
apontar para a nossa total confiança no absoluto controle de Deus sobre tudo, e
no seu caráter perfeito: Ele está presente, sabe o que faz e isso nos basta.
Será que tem sido assim conosco?
Os versos 4 à 6 mostram a inutilidade de
qualquer ídolo que queira tomar o lugar do Senhor. Eles descrevem coisas que
são descritas como sem vida, criadas ou manipuladas pelo próprio homem para
servir de objetos de adoração. Essa descrição mostra claramente a nossa total
insensatez, o absurdo de nossa busca por satisfação, refúgio, identidade ou
qualquer outra coisa em nossa vida, fora da presença do Senhor. Você acha
absurdo alguém se prostrar diante de um ídolo de ouro e prata, cego, surdo e
sem movimento como os descritos aqui? Pois saiba que é exatamente isso que você
e eu fazemos quando colocamos nossa esperança de felicidade e completude em qualquer
pessoa além do Senhor; quando colocamos a nossa segurança contra os medos que
nos assolam em nossa capacidade ou ações; quando amamos pessoas, circunstâncias
ou coisas mais do que o Senhor e estamos dispostos a pecar para não perdê-las.
A advertência do verso 8 deve ecoar em nossos ouvidos como um açoite: quando
levantamos altares a ídolos no nosso coração nos tornamos nulos e obscurecidos
como estes ídolos, inanimados, sem vida.
Mas o cântico prossegue declarando a
confiança devida somente ao Senhor, pois só ele é amparo e escudo. O abraço que
acalenta na tempestade, e a arma de proteção durante a batalha. Por isso o seu
povo confia nele (verso 9), os seus sacerdotes confiam nele (10), aqueles que o
temem confiam nele (11). Ora, hoje em Cristo, na nova aliança no seu sangue,
somos um povo, nação de sacerdotes que andam no temor do Senhor! Portanto somos
triplamente chamados a confiar nele! Em seguida vem também a tripla promessa da
benção do Senhor sobre as mesmas categorias, agora e no futuro (verso 12). Não
podemos nos esquecer de que nesta divisão: povo de Israel, sacerdotes, aqueles
que o temem, o Salmo também já incluía a promessa daqueles que não eram judeus
de nascimento, mas iriam temer o Senhor, ou seja, os gentios. Portanto esse
convite à confiança e promessa de benção se estende a nós hoje.
O Salmo conclui nos versos 14-18 com uma
oração pela continuidade da benção do Senhor pelas gerações futuras, em
reconhecimento do Senhor como fonte e Criador de tudo e também bondoso doador
de todas as coisas criadas à nós, para vivermos em sua presença e fazermos a
sua vontade.
No verso 17, a ideia de que não são os mortos
que louvam ao Senhor, no original seria mais próximo de se dizer, não são
aqueles que estão como mortos que louvam ao Senhor, mas sim, como diz o verso
18, nós, o seu povo, que estamos vivos por Ele e somos dele, que entendemos
quem Ele é e o adoramos, nós que iremos bendizer o Senhor para sempre!
Será que o Senhor Jesus cantou esse salmo com
seus discípulos? Será que ao cantar ele olhou para Judas e o fez pensar na
futilidade do amor ao dinheiro como um ídolo em sua vida? Será que ele olhou
para Pedro e pensou como ele ainda sofreria por causa do seu temor de homens,
que tomava ainda o lugar de Deus em seu coração? Pode ser que Ele tenha olhado
para Tomé e pensado em como ele punha sua segurança naquilo que é visível e
palpável. O que Jesus veria em seu coração tomando o lugar dele na hora mais
difícil? Que ídolo Ele veria ali, lutando pelo controle da sua vida?
Será que aqueles homens conseguiam perceber que estavam diante daquele que estava para nos reconciliar com Deus e nos permitir viver em confiança plena e relacionamento íntimo com o Senhor? Não sabemos. Mas sabemos que diante da vida nova que Cristo oferece, como podemos sequer cogitar nos dobrar diante de qualquer ídolo do nosso coração? Que o Pai nos mostre onde temos nos tornado nulos e obscurecidos no nosso entendimento, nos leve ao arrependimento e à vida abundante na sua presença.
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